Saiba tudo sobre o estilo Louva-a-Deus no Kung Fu

O Kung Fu é uma arte marcial milenar que se originou e desenvolveu na China. Sua história teve início há mais de 3.500 anos e, desde então, segue em constante evolução. Acredita-se que ele tenha surgido devido à necessidade de criar técnicas de defesa pessoal e de sobrevivência e que tenha se perpetuado de geração em geração, crescendo de acordo com os períodos da história chinesa.

Com o passar dos anos, a prática foi se desenvolvendo e incorporando novos movimentos — muitas vezes baseados no comportamento de animais que se defendiam, sobreviviam e encontravam suas presas.

Bichos como garças, tigres e leopardos serviram de inspiração para o surgimento de estilos que foram amplamente difundidos pelo mundo e se tornaram parte das práticas mais famosas do Kung Fu. Mas a influência da natureza não ficou limitada a animais de grande porte e força física: o estilo Louva-a-Deus está entre os mais conhecidos do mundo, sendo criado com base no estudo e na observação de um inseto!

No post de hoje, vamos falar sobre esse estilo que ganhou adeptos em todo o mundo: de que maneira surgiu, quem o criou, quais são seus princípios e particularidades e como é possível aprendê-lo. Confira!

Qual é a relação entre o Kung Fu e os animais?

Muitas pessoas acreditam que o Kung Fu é uma luta que imita os animais, mas a verdade é que essa ideia não está inteiramente correta.

Primeiramente, precisamos entender que o Kung Fu não é uma simples luta, mas sim uma arte marcial capaz de estimular o desenvolvimento de autocontrole, equilíbrio, autoconhecimento e disciplina e oferecer outros incontáveis benefícios para o corpo e a mente.

Como dissemos antes, a prática foi desenvolvida na China e teve a sua base moldada por meio da observação do comportamento de diversos animais. Por isso, muitos estilos, também conhecidos como estilos de imitação, são inspirados em métodos de combate que os animais utilizam para sobreviver.

Isso quer dizer que as principais características de determinados bichos foram usadas para o desenvolvimento de estilos únicos que fazem parte da história do Kung Fu. Assim como existe o estilo Louva-a-Deus, há também o Garça Branca, por exemplo. O Kung Fu não imita um louva-a-deus ou uma garça, ele se inspira nas estratégias e características desses animais para desenvolver técnicas de arte marcial.

Saiba também que os animais servem como inspiração para muitos movimentos de variados estilos, como a técnica de retorcer o corpo e andar na diagonal — lembrando uma serpente —, que é utilizada no Kung Fu Xing Yi.

Ou seja, os estilos de imitação, na verdade, são estilos de Kung Fu que foram inspirados em características de movimentação, táticas de defesa e ataque e outros quesitos que tornam um animal único e capaz de sobreviver na natureza, vencendo inclusive combates com predadores maiores e mais fortes.  

Que elementos definem o estilo Louva-a-Deus?

Depois de entender a relação do Kung Fu com os animais, é preciso conhecer um pouco mais do bicho que inspirou um dos estilos mais famosos da arte marcial chinesa no mundo: o Louva-a-Deus.

O Louva-a-Deus é um inseto da ordem Mantodea, marcado pela forma com que mantém suas patas dianteiras dobradas, como se ele estivesse em oração ou em um momento de devoção. Famoso nas artes marciais, esse animal possui características que fazem dele um excelente batalhador no reino animal.

Grande parte dos insetos dessa espécie se alimenta de outros insetos, mas suas presas não param por aí: um Louva-a-Deus também é capaz de comer animais maiores, como escorpiões, lagartos, pássaros e até mesmo cobras.

Isso acontece, porque, apesar do seu tamanho, o Louva-a-Deus demonstra habilidade de combate. Prepara emboscadas para suas presas, camufla-se e espera o momento certo para o ataque. Suas patas são tão fortes que podem matar um pássaro pequeno com um só golpe ou mesmo perfurar a pele humana.

Entre as várias espécies, a Tenodera Sinensis — ou Louva-a-Deus Chinês — é aquela que inspirou o estilo Louva-a-Deus do Kung Fu. De modo geral, os insetos dessa espécie possuem o corpo mais longo do que outros da mesma ordem, fato que confere a eles mais facilidade no ataque a animais maiores.

Como é a história do estilo Louva-a-Deus?

Agora que você já sabe que o Louva-a-Deus é um inseto com habilidades capazes de torná-lo um predador eficiente, não é difícil imaginar por que ele serviu de inspiração para a criação de um estilo completo de Kung Fu. Mas como surgiu a ideia de observar esse animal? Quem deu início ao estilo?

Apesar de a história não ter sido documentada, ela foi transmitida de geração em geração, e supõe-se que tudo começou com Wang Lang, um chinês que aprendeu Kung Fu em um templo localizado na vila em que vivia e que teve a oportunidade de viajar por toda a China para aperfeiçoar suas habilidades em artes marciais.

Lang se tornou um lutador de espadas de alto nível e desenvolveu tanto suas habilidades que dificilmente era vencido. Tornou-se, então, muito confiante e decidiu desafiar alguns monges do templo Shaolin.

No entanto, o que Lang não esperava aconteceu, e ele foi vencido pelo mestre do templo. Chateado, mas decidido a aprimorar ainda mais suas táticas e técnicas, resguardou-se em uma floresta, onde teve a oportunidade de presenciar a luta entre um Louva-a-Deus e uma cigarra.

Para a surpresa de Lang, o Louva-a-Deus — naturalmente menor do que seu oponente — não só venceu a cigarra, como a devorou.

Muito impressionado, o chinês resolveu observar o modo de defesa e de ataque do Louva-a-Deus e aprender um pouco mais sobre como um animal aparentemente frágil era capaz de obter sucesso em um confronto com um bicho maior e mais forte.

Lang atiçou o inseto com uma vareta e pôde observar que ele era capaz de se defender, independentemente de onde vinha o ataque, já que sua cabeça virava para qualquer direção. Percebeu, também, a perseverança do Louva-a-Deus e estudou todos os seus movimentos.

Com base nessa análise detalhada, Wang desenvolveu o estilo de arte marcial que hoje é conhecido como Louva-a-Deus. Primeiro, dividiu-o em três categorias: Peng Pu, Lan T’seh e Pa Tsou.

  • Peng Pu: visa tirar o oponente de seu balanço;
  • Lan T’seh: utilizado para reduzir a força do adversário;
  • Pa Tsou: conhecido como a defesa “oito cotovelos”. 

Wang também desenvolveu 12 princípios, conhecidos como “12 palavras secretas”, baseados na forma de caça e luta do Louva-a-Deus. O novo estilo de Kung Fu foi consolidado, e Lang foi capaz de vencer o mestre do tempo Shaolin. Foi assim, então, que Wang passou a divulgar e a ensinar os movimentos do estilo criado por ele.

Que princípios são seguidos nesse estilo?

As 12 palavras secretas ou 12 palavras-chave desse estilo do Kung Fu foram elaboradas por meio da observação do Louva-a-Deus e, por isso, relacionam-se com os movimentos que Wang estudou, analisou e incorporou em sua prática de arte marcial. Conheça cada um deles a seguir:

1. 鉤 – Gou

Gou pode ser traduzido tecnicamente como “enganchar” ou “agarrar em gancho” e diz respeito a uma pegada maleável. Utiliza a ideia de “Song Shou”, ou mãos relaxadas, permitindo movimentos mais livres, pois flexiona alguns músculos. O contato momentâneo com o adversário tem o objetivo de detectar a força dele.

2. 摟 – Lou

De modo contrário ao que é proposto em Gou, o princípio Lou pode ser entendido como “abraçar”, “agarrar de forma assertiva”. Lou propõe uma pegada firme e que utiliza todo o corpo para dominar as extremidades dos oponentes.

3. 採 – Cai

Cai baseia-se na ideia de colher um fruto em uma árvore. Dessa forma, propõe que o adversário seja agarrado até que seus pés saiam do chão, deixando-o “desenraizado”. Esse princípio trabalha com um agarrar mais forte, que tem a capacidade de deixar o adversário desorientado temporariamente.

4. 掛 – Gua

Gua, que pode ser traduzido tecnicamente como “suspender” ou “pendurar”, é o princípio que propõe o uso de braços, punhos e antebraços. Utiliza as partes internas e externas do antebraço para alcance em média distância e as partes internas e externas do úmero para técnicas de curta distância. 

5. 刁 – Diao

Pode-se traduzir Diao como “ardiloso”. Esse princípio busca interceptar a força do adversário de maneira indireta e realizando o menor esforço possível. Além disso, utiliza as técnicas que se baseiam em movimentos de gancho.

6. 進 – Jin

Jin é o princípio do avanço, do movimento para frente e em direção ao oponente. Propõe uma movimentação diferenciada, que faz uso de métodos e passos sofisticados. Jin também utiliza técnicas de colisão, agilidade e produtividade e faz com que o praticante mantenha um alinhamento firme e flexível ao mesmo tempo, para que o avanço possa ser realizado com a maior eficiência possível.

7. 崩 – Beng

Beng, que significa “romper”, tem a proposta de atacar o adversário de maneira energética. O princípio inclui técnicas mais rígidas e é geralmente utilizado no início e no término das práticas.

8. 打 – Da

Mais um princípio de ataque, o Da combina componentes de combate e propõe o ataque com todas as partes do corpo. A combinação de movimentos faz com que o oponente seja “bombardeado”.

9. 粘 – Zhan

Zhan, que pode ser traduzido como “pegajoso”, é o princípio do contato físico entre os adversários. Zhan procura estabelecer esse contato para que seja possível explorar o oponente, detectando suas posições e movimentos por meio do Ting Jing (ou “escutando a sua energia”).

10. 黏 – Nian

Assim como o princípio Zhan, Nian também está relacionado ao contato com o oponente. Porém, esse princípio, que significa “aderir”, permite uma maior duração da proximidade com as extremidades do adversário, para que seja possível detectar pontos de fraqueza na defesa oponente.

11. 貼 – Tie

Seguindo a linha dos princípios de contato, o Tie prega a proximidade com o torso do adversário, como se o praticante estivesse preso a essa parte do oponente. A tática tem como finalidade manter o adversário em modo defensivo e desorientado.

12. 靠 – Kao

Diferentemente dos princípios vistos até então, Kao é relacionado à maneira como o corpo é utilizado para potencializar as técnicas. Para isso, esse princípio utiliza a inclinação corporal. Ao reclinar o corpo para manipular o adversário, o praticante consegue aumentar sua força de ataque sobre o oponente utilizando apenas o seu próprio peso.

Quais são as vertentes do Louva-a-Deus?

Por ter se tornado um dos estilos de Kung Fu mais conhecidos do mundo, o Louva-a-Deus acabou ganhando diversas vertentes. Uma das lendas conta que, após Wang Lang ter derrotado o mestre do templo Shaolin, ele conquistou respeito e admiração de muitos praticantes, que se tornaram discípulos do seu novo estilo.

Alguns desses discípulos, interessados em inovar, decidiram se desligar da escola original. O mestre Louva-a-Deus teria, então, proposto que cada um deles capturasse um inseto e nomeasse suas novas vertentes de acordo com a marca nas costas de seus Louva-a-Deus.

Ainda de acordo com essa história, um dos Louva-a-Deus possuía uma marca que lembrava o símbolo Yin-Yang, originando a vertente Taiji; o outro tinha uma marca similar a uma flor de 5 pétalas, que deu origem ao estilo Louva-a-Deus Flor de Ameixa; já outro possuía marcas, que, juntas, lembravam sete estrelas, dando origem à vertente mais famosa do estilo: o Louva-a-Deus 7 Estrelas.

Conta-se, também, que um quarto inseto não possuía marcas e, assim, deu origem à vertente conhecida como estilo despido ou Louva-a-Deus Tábua Branca. As novas escolas, porém, não se limitaram a esses quatro discípulos.

A seguir, conheça detalhes das três primeiras vertentes explicadas (7 Estrelas, Flor de Ameixa e Taiji), que contam com vários praticantes no mundo. A Tábua Branca é uma prática mais rara. 

Louva-a-Deus 7 Estrelas

A vertente 7 Estrelas é a mais famosa entre aquelas que derivaram do estilo Louva-a-Deus. Quando comparada às outras escolas, ela é bastante diferente.

A predominância de movimentos lineares, ataques mais curtos com os braços, menor número de chutes — em sua maioria, mais baixos —, bases mais altas e muita diversidade nas formas do estilo Punho Longo fazem com que essa vertente seja mais agressiva.

O foco é em prender o adversário em distâncias curtas. Com golpes rápidos, muito uso das articulações, como joelho e cotovelos, o estilo 7 Estrelas é mais rígido e compacto, mantendo posturas alinhadas e golpes que aparentam ser extremamente duros, mas que, na realidade, possibilitam a leveza interior.

A vertente faz uso do passo de mesmo nome, 7 Estrelas, que tem por finalidade acertar e prender os adversários por meio das pernas, deixando-os sem equilíbrio e possibilitando que os braços continuem livres para o combate.

A forma estética do 7 Estrelas é diferente, mas seus golpes são totalmente possíveis de serem aprendidos e executados por todos os praticantes, desde que estes sigam o conceito de Kung Fu: trabalho árduo.

Louva-a-Deus Flor de Ameixa

O Louva-a-Deus Flor de Ameixa fica com a segunda posição de vertente mais difundida pelo mundo, sendo sua maior influência em Shandong e arredores.

Quando comparado ao 7 Estrelas, o Flor de Ameixa é mais leve, apresenta movimentos mais ativos, maior alternância entre golpes altos e baixos e passos maiores.

Louva a Deus Taiji

Outra linha Louva-a-Deus é o Tajii, nome derivado da teoria de equilíbrio e alternância entre Yin e Yang. A vertente Tajii é ainda mais leve do que a Flor de Ameixa e tem foco na força interna de cada praticante.

Sua maior área de influência é Hong Kong, local para onde foi levada pelo mestre Chiu Chuk Kai.

Além dessas vertentes detalhadas, existem, ainda, outras mais raras, de linhagens mais antigas e mais recentes, ou que surgiram da combinação de duas outras linhas. Veja alguns nomes:

  • Louva-a-Deus Punho Longo; 
  • Louva-a-Deus Porta Secreta;
  • Louva-a-Deus 8 Passos;
  • Louva-a-Deus Wah Lum.

Como aprender o estilo Louva-a-Deus?

Com tantas particularidades, o estilo Louva-a-Deus desperta bastante interesse em quem deseja usufruir dos incontáveis benefícios da prática de artes marciais. Porém, muitas pessoas se sentem inseguras ou não sabem se são capazes de aprender algo tão complexo.

A verdade é que o estilo Louva-a-Deus pode ser aprendido por todos. Lembre-se de que mesmo os grandes mestres de Kung Fu foram, um dia, iniciantes.

O Kung Fu estilo Louva-a-Deus não impõe limitações de religião, crença, raça ou gênero e pode ser praticado desde a infância, trazendo muitos benefícios para a construção da personalidade de uma pessoa. De maneira geral, as escolas oferecem aulas de Kung Fu para crianças a partir de 5 anos, mas essa idade pode variar de local para local.  

O importante é ter em mente que, como uma filosofia de vida que busca o autoconhecimento, o respeito, a disciplina e a melhora pessoal constante, o Louva-a-Deus deve ser praticado por pessoas motivadas e determinadas. Confira algumas dicas para aprender esse estilo:

1. Seja constante e perseverante

Manter constância no aprendizado é essencial, buscando sempre aprofundamento nos treinos e no conhecimento a respeito do estilo Louva-a-Deus. Para que isso seja possível, é essencial que o praticante tenha perseverança e paciência.

É preciso entender que os resultados vêm com o tempo e que, muito mais importante do que avançar rapidamente no estilo, é aprendê-lo da maneira correta, dominando cada etapa.

Busque pensar fora da caixa e não se limite às aulas práticas: leia materiais sobre Kung Fu para iniciantes, assista a filmes sobre Kung Fu, estude sobre a história dessa arte, conheça as regras do Kung Fu e procure entender como pensavam os maiores mestres do mundo.

2. Tenha um objetivo

Como dito, um dos requisitos para aprender o estilo Louva-a-Deus é ter motivação e determinação. Por isso, delimitar um objetivo é importante. Quando sabemos aonde queremos chegar, fica muito mais fácil manter o foco e a motivação.

Defina suas metas com base no seu eu interior, procure entender se você deseja alcançar o equilíbrio, uma vida mais plena, mais disciplina, foco, ou se você quer se tornar um grande competidor.

Dessa forma, quando os obstáculos aparecerem e o desânimo bater à porta, você poderá se lembrar de por que começou e para onde está caminhando.

3. Escolha uma boa escola de Kung Fu

A escolha da escola onde serão realizados os treinos de Kung Fu faz toda a diferença na sua aprendizagem. Opte por instituições que sejam tradicionais nessa arte. É importante lembrar que diferentes escolas seguem linhas diversas e que, por isso, para aprender o Louva-a-Deus, é preciso encontrar uma instituição que siga esse estilo.

Também é essencial que a escola escolhida trabalhe com mestres com conhecimento sólido, tanto técnico quanto prático, e que, principalmente, estejam aptos a transmitir o que sabem de modo respeitoso.

Uma boa dica é prestar atenção na forma como os mestres e praticantes se comportam dentro da escola: pessoas arrogantes, mal humoradas e com atitudes negativas indicam que o Kung Fu não é levado a sério naquele local.

Antes de optar por uma instituição, tire todas as suas dúvidas. Certifique-se de que os professores têm formação na área, que a escola oferece boa estrutura e que o ambiente seja propício para suas práticas.

Por que aprender o estilo Louva-a-Deus?

Como dito, o Kung Fu é uma filosofia de vida que traz benefícios para o corpo e a mente. O praticante desenvolve-se fisicamente, melhora a consciência corporal, o controle dos movimentos, a respiração e a força muscular, evita problemas de articulações, aprimora o equilíbrio e muito mais.

No campo da saúde mental, quem pratica o Louva-a-Deus trabalha o foco, a disciplina, o respeito consigo, com os outros e com o ambiente em que vive, consegue prevenir doenças como depressão e ansiedade e é estimulado a conviver socialmente e a se autoconhecer.

O estilo Louva-a-Deus se tornou um dos mais famosos do mundo e deu origem a tantas vertentes que se perpetuam ao longo dos séculos justamente por suas características únicas. E se você tem interesse em fazer parte dessa história e aprender um estilo incrível de arte marcial, entre em contato com a TSKF. Será um prazer lhe atender!

Mestre Gabriel
Mestre Gabriel

Praticante de Kung Fu desde 1980, fundou a TSKF Academia de Kung Fu em 1996, graduado Mestre pela Confederação Mundial de Kuoshu. É escritor, palestrante, ocultista e estudioso da entidade humana.

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